A Sombra de Innsmouth

Olá pessoas! Finalmente falaremos por aqui sobre uma obra do sr. Howard Phillips Lovecraft, meu autor de terror preferido 😀 E para começar os trabalhos, o alvo de hoje é a “A Sombra de Innsmouth”. E por que esse livro? Bom, poderia começar falando sobre “Dagon” ou o próprio “Call of Cthulhu”, mas “A Sombra de Innsmouth” foi o primeira novela de Lovecraft publicada completa, em 1936 (boa parte de suas novelas foram publicadas após sua morte).

a-sombra-de-innsmouth.jpgBom, vamos à sinopse do Skoob:

“O livro conta a história de um jovem que, durante uma viagem pela Nova Inglaterra, vê-se obrigado a passar uma noite em Innsmouth – o vilarejo portuário em ruínas que não consta em nenhum mapa e esconde um mistério tão profundo quanto as águas que o banham. O volume também traz um apêndice com uma carta de Lovecraft a Alvin Earl Perry, na qual expõe um método para a narração de histórias e discute a insatisfação que sentia em relação ao mercado editorial, e uma árvore genealógica dos principais personagens.”

ATENÇÃO! A partir deste trecho, o texto pode conter spoilers:

Bom, o que falar deste livro que eu mal li e já considero pra caramba? Hehe, uma das coisas que eu mais admiro nos textos de Lovecraft é o dom que ele tinha de transformar uma narrativa inicialmente trivial em algo que vai te enlouquecer. Já comentei por aqui que não sou uma grande fã de terror, daquele mais tradicional com sangue, tripas e sustos; mas esse terror que mexe com a mente, com a essência das pessoas, para mim é uma obra de arte (e chega que isso já está soando estranho, ahaha). Na verdade se trata do medo que nós, seres humanos, temos ante qualquer coisa desconhecida e que não consigamos encontrar nenhuma explicação (lógica ou ilógica) simplesmente porque nossa mente nunca se aventurou a chegar tão longe. E o choque de se deparar com tal coisa tão díspar a nossa percepção da realidade é o gatilho para despirocar de vez.

Certo, me empolguei demais (para variar). E é aí que entra a trama de “A Sombra de Innsmouth”. A história começa com um personagem narrador que não sabemos sequer o nome (e realmente importa?) contando sobre a viagem que decidiu fazer ao chegar à maioridade, para fins turísticos e estudo de sua genealogia. Até aí tudo bem. Em determinado momento, em meio a conversas, ele ouve falar em Innsmouth e todas as peculiaridades e boatos sobre a cidade e seus habitantes de aparência pouco convencional. Aí o que ele faz? Vai visitar a cidade, claro! O que pode acontecer de errado mesmo…

O narrador começa a perambular pela cidade fazendo perguntas e chamando atenção. Numa cidade lúgubre e caindo os pedaços, com placas pregadas nas portas e janelas por toda parte, onde os nativos não gostam de forasteiros. Entre uma seita estranha aqui e um recife pavoroso ali, uma conversa reveladora com o bêbado local é que faz a confiança de nosso narrador titubear.

Mas sabe aquele ônibus que dava a margem de segurança de saciar a curiosidade e voltar são e salvo a seu destino? Ele quebra. E o narrador tem que passar a noite em Innsmouth. Aí a casa cai (e a sua sanidade junto). O personagem principal passa a ser perseguido pelos moradores da cidade que…bom, eles precisam do nosso narrador para algo. A despeito do estado de panico em que o rapaz se encontrava, ele consegue fugir. Mas o melhor ficou para a parte final do livro, nas descobertas do narrador apos sua partida de Innsmouth.

Um fator que me incomodou um pouco (mas compreendo que é um recurso que Lovecraft usa com frequência), é a ênfase que ele deu em relação ao asco despertado pela visão dos habitantes  de Innsmouth, sobre seu aspecto “repugnante e odioso”. Tudo bem, entendo que é para deixar bem clara essa idéia de repulsa ao leitor, mas acabou funcionando naquele efeito “filho, leva o casaco”. Tua mãe diz para tu levares um casaco, mas repete tantas vezes que tu esqueces o bendito em cima do sofá. O que era para ser enfático acabou por passar batido muitas vezes.

Já a descrição da anatomia dos habitantes de Innsmouth é ótima. Só ela dispensaria os adjetivos depreciativos que a seguiam. Basta usar a imaginação com as informações que o narrador nos fornece e claramente sabemos que há algo de funesto naquele local. Assim como a forma que Innsmouth foi descrita, que colabora com a atmosfera pesada e temor sentido a cada esquina (sem falar no cheiro de peixe).

Recomendo a leitura de “A Sombra de Innsmouth” para todos que apreciam uma boa história de terror e para quem gostaria de começar a ler H.P. Lovecraft. Deixo para vocês uma trilha sonora bacana para o livro, “The Thing That Should Not Be”, música do Metallica baseada nas agruras de Innsmouth ( na versão do “S&M”, para ficar mais dramático).

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