Dragões de Éter – Caçadores de Bruxas

Olá pessoas, tudo bem? E o computador? Pois é, ele ainda está comprometido, mas a gente vai dando um jeito de dar as caras por aqui. Tenho esperanças de que quem sabe até o final da semana ele esteja com um novo sistema operacional. É irônica toda essa dependência de computadores quando tu achavas que eles eram apenas máquinas de escrever metidas a besta, hehe. Mas enfim…essa semana eu terminei de ler o “Dragões de Éter – Caçadores de Bruxas”, do Raphael Dracoon. O livro é o primeiro volume de uma trilogia, sendo os volumes seguintes “Coração de Neve” e “Círculos de Chuva”. Sabe aquele livro que depois que tu terminas de ler dá aquela sensação de orfandade? Que tu ficas meio abandonado e sem rumo, com saudades da história e dos personagens? Então vocês têm uma idéia exata de que tipo de livro “Dragões de Éter – Caçadores de Bruxas” é.

cac3a7adores-de-bruxasSegue a sinopse do Skoob:

“Nova Ether é um mundo protegido por poderosos avatares em forma de fadas-amazonas. Um dia, porém, cansadas das falhas dos seres racionais, algumas delas se voltam contra as antigas raças. E assim nasce a Era Antiga. Essa influência e esse temor sobre a humanidade só têm fim quando Primo Branford, o filho de um moleiro, reúne o que são hoje os heróis mais conhecidos do mundo e lidera a histórica e violenta Caçada de Bruxas. Primo Branford é hoje o Rei de Arzallum, e por 20 anos saboreia, satisfeito, a Paz. Nos últimos anos, entretanto, coisas estranhas começam a acontecer… Uma menina vê a própria avó ser devorada por um lobo marcado com magia negra. Dois irmãos comem estilhaços de vidro como se fossem passas silvestres e bebem água barrenta como se fosse suco, envolvidos pela magia escura de uma antiga bruxa canibal. O navio do mercenário mais sanguinário do mundo, o mesmo que acreditavam já estar morto e esquecido, retorna dos mares com um obscuro e ainda pior sucessor. E duas sociedades criminosas entram em guerra, dando início a uma intriga que irá mexer em profundos e tristes mistérios da família real.”

É muita informação inicial, não é? Bom, vou tentar sintetizar minhas impressões sobre o livro. Então SENTA QUE LÁ VEM O SPOILER (ou nem tanto…acho até que fui boazinha  dessa vez 😀 ).

O primeiro é – pasmem – não há dragões. Não pelo menos nesse primeiro volume da obra. Mas há Éter, muito Éter. Um mundo formado e sustentado por ele. E essa alegoria em relação à nossa imaginação e a força que ela tem para sustentar mundos foi muito feliz. 17963_portal_the_cake_is_a_lie

Passada a primeira pegadinha, vamos a outros tópicos. Atualmente o nicho “contos de fadas” tem sido demasiadamente explorado pela mídia. Temos “Fábulas” (HQ maravilhosa da Vertigo sobre o tema), temos a série “Once Upon a Time” (que gerou até o spin off “Once Upon a Time in Wonderland”, que foi cancelada logo na primeira temporada), temos filmes como “Espelho, Espelho Meu”, “Branca de Neve e o Caçador”, “A Garota da Capa Vermelha”, “João e Maria Caçadores de Bruxas”, “Malévola”, “Cinderella”… E temos também o famigerado livro “A Psicanálise dos Contos de Fadas” (que eu peço encarecidamente a vocês que não deixem perto de pré-adolescentes. Quando eu li meu mundo caiu e saiu rolando escadas abaixo como se tivesse sido atacado pela Nazaré Tedesco).

Então quando comecei a ler e reconhecer de quem se tratava realmente Ariane Narin e os irmãos Hanson, fiquei um pouco receosa. No entanto a coisa foi tão bem escrita que não tem como não amar os personagens principais. Sem falar que diversos contos de fada foram sintetizados em uma só obra de forma épica. Raphael Dracoon conseguiu juntar Chapeuzinho Vermelho, João e Maria, Branca de Neve e os Sete Anões, o Príncipe Asa po e muito mais… e tudo fazer sentido. Tudo ocorre nesse mesmo mundo maravilhoso chamado Nova Ether. Me senti retornando à infância, ouvindo as famosas “histórias desencontradas” contadas pela minha mãe.

Outra sacada muito bacana é a questão das fadas como avatares dos semideuses. A primeira coisa que me veio à cabeça foram as histórias em que as fadas testam o caráter das pessoas, como em “A Bela e a Fera” e “As Fadas” (esse último um dos meus preferidos quando pequena). E de fato, o autor usa desse artifício ao longo da história. O conceito utilizado para a origem das bruxas como fadas caídas também é muito interessante (e, de certa forma, análogo à cultura cristã).

Quando li o título “Caçadores de Bruxas” pensei “Poxa vida, e minha política de defesa às bruxas?”. Um livro de fantasia retratando uma versão (ainda que fantasiosa) da paranóia e terror da caça às bruxas ocorrida durante a idade média é no mínimo curioso. Mas justificado. E mostra os dois lados da situação. O que te deixa com aquela dúvida sacana de sempre, quando tu percebe que a problemática não é unilateral. “Quem são os vilões e quem são os mocinhos afinal?” “As atitudes tomadas foram de fato as corretas?”. Histórias que te fazem refletir são sempre boas histórias (vide a saga “Chimera Ants”, de Hunter x Hunter, que eu tenho a intenção de comentar por aqui algum dia).

Dragões de Éter além de possuir protagonistas carismáticos (além de Ariane Narin e João e Maria Hanson, como não simpatizar e torcer pelos príncipes Axel e Anísio Terra Branford?), também nos presenteou com excelentes  antagonistas, como Jamil Coração de Crocodilo (pensa num pirata “evil as hell” que sozinho vira o reino de cabeça para baixo de um dia para o outro) e Babau (a bruxa canibal da casa de doces de João e Maria, dispensa apresentações). E só os semideuses sabem como uma história depende de um bom antagonista. Também há personagens que não estão no olho do furacão mas mesmo assim tu precisas saber do destino deles, como o pirata Snail Galford e a ladra acrobata Liriel Gabbiani.

Chega, escrevi demais. O livro é ótimo. Já estou com saudades. Por fim só queria dizer que o Natal está chegando e quero uma águia-dragão (ou os volumes seguintes) =D

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5 comentários sobre “Dragões de Éter – Caçadores de Bruxas

  1. Bah, e isso que nem cheguei a comentar da estrutura narrativa que é muito bacana. O livro é dividido em três atos. O primeiro é basicamente uma apresentação do mundo e dos personagens, uma contextualização da história. O segundo é o conflito, a ação em si da história e o terceiro é o clímax, a resolução. Parece uma peça de teatro. Vale a pena investir um tempinho na leitura 😉

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