Sétimo

Um dos meus maiores defeitos é ler um livro e não escrever imediatamente sobre ele. Aí o tempo vai passando, passando e eu já nem me lembro mais de boa parte dos detalhes. O outro defeito (e aí parte da responsabilidade é minha, e parte é da disponibilidade de fundos para comprar os livros) é não ler livros de uma série imediatamente após o outro. Aí passa mais de um ano quando eu vou ler e já viu, esqueci tudo de novo, ahahaha. Talvez seja por isso que não escrevo sobre livros com aqueeeeeeela frequência por aqui. O outro motivo é que não sei falar sobre uma história sem falar do enredo. Ou seja, sou um spoiler ambulante (o que já gerou muitas desavenças com amigos próximos, inclusive). Mas eu juro que não é proposital, eu só simplesmente não sei compartimentar as coisas (assim como não sei escrever discussão sem retomar os resultados, ou descrever os resultados sem discuti-los, mas isso é assunto para outro dia).

Bom mas chega de conversa e vamos tentar dessa vez passar minhas impressões sobre esse livro joinha, chamado Sétimo. “Sétimo”é a continuação do livro “Os Sete”, ambos escritos pelo André Vianco. “Os Sete”foi lançado em 2000 e “Sétimo” em 2002. Não preciso nem dizer o quão bacana é ter a oportunidade de ler uma história de vampiros nacional, hehe. Segue abaixo sinopse do “O Sétimo”, extraída do Skoob:

sétimo“Do mesmo autor dos bestsellers Os Sete e O Senhor da Chuva Um vampiro, desperto depois de quinhentos anos, abre o olhos numa terra estranha, nova e cheia de sangue. Sétimo decide fazer do Brasil seu novo lar, e para tanto terá de formar um verdadeiro exército de vampiros para demarcar seu território, exibir seu poder e dar combate aos caçadores. Elege um vampiro recém-criado (Tiago) para servir-lhe de guia, general e pupilo. Em sua sede por sangue e conquistas, ao autoproclamar-se a criatura mais poderosa da Terra, Sétimo atrai, além de vampiros, um sem-número de inimigos deste e do outro mundo. Esses inimigos despenderão esforço sobre-humano, empregando, além de armas carregadas com balas de prata, dentes pontiagudos e poderes paranormais. O espetáculo mais bizarro da Terra não pode parar.”

E pára tudo que a partir daqui pode haver spoilers (agora, se assim como eu, tu também não te importa, vamos lá).

spoilers

A questão é que li “Os Sete”há mais de um ano. Quando peguei “Sétimo”para ler estava mais perdida que cusco em procissão. Mas logo me situei. Tiago, Eliana e César estavam fugindo dos vampiros doidões que morreram na explosão da bomba e etc. Olavo foi pro saco de lanchinho do Sétimo, que despertou a partir do sangue de César (assim como os demais tinham despertado da caixa a partir do sangue de Eliana). E Tiago, que havia bebido do sangue de Guilherme (Inverno), estava virando um vampirão trevoso também. Elelê. Qual a melhor atitude a se tomar? Vamos fugir e proteger o Sétimo filhote de cruz-credo, depois de todo trabalho que ele e os demais vampiros nos deram. Enquanto isso Afonso, o Lobo, está solto por aí querendo vingança do Cesão. Legal hein? É nesse ritmo frenético que o livro começa.

Devo dizer que algumas coisas me incomodam nesses livros. A primeira é a tentativa de simulação de fala sulina. Por favor, não use frases terminando com “tchê”o tempo todo (inclusive, o “tchê”no início da frase ficaria bem melhor). Não comece as frases com “Bah”(e não “Bá”) e termine com “tchê”, fica artificial. E dos personagens supostamente gaúchos, há torcedores do São Paulo, do Flamengo, do Cruzeiro… (do Inter e do Grêmio que é bom, nada).

(pronto, passou o ataque de rabugice)

A segunda coisa que me incomoda é que eu não consigo ter empatia pelos personagens principais. Simplesmente não consigo torcer pelo sucesso de Tiago, Eliana e César. Não temo pelo destino deles. A narrativa me faz ficar muito mais interessada no que os vampiros vão fazer. Na verdade acho que nem o Vianco estava aguentando mais eles, já que o Cesár foi morto pelo Afonso e virou morto-vivo e a Eliana virou vampira (diga-se de passagem ela passou o livro todo tão chata que acho que era o único jeito dela acompanhar o ritmo da história).

E é extremamente interessante acompanhar os movimentos de Afonso e Sétimo para montarem seus exércitos. Uma das sequências mais bacanas do livro é quando Afonso ataca Leonardo e todos os eventos subsequentes. A granja. A cena da delegacia. O ataque aos acampamentos. Ação do início ao fim e muito bem narrada.

Por outro lado, a velocidade com que Sétimo se adaptou ao ambiente atual e aos costumes brasileiros foi surpreendente. Apesar de ser um vampiro com séculos de vida, gostamos de ver o fascínio infantil de Sétimo com coisas simples para nós como Coca-Cola, energia elétrica e motocicletas. A parte de Tiago agindo como guia de Sétimo em São Paulo e Osasco foi muito legal, o problema é que Sétimo como bom vampiro malvadão e megalomaníaco que é, tinha que afastar Tiago (e porque ele tentou atacar a Eliana também). Mostrar Sétimo recrutando soldados e arranjando alimento na vida noturna paulistana foi outra sacada genial. Fiquei imaginando “mas olha que cenário bacana para jogar Vampiro hein”. A forma como ele aborda as pessoas, as formas ilícitas de obtenção de armas, defesa e por fim obter seu covil definitivo.

Ai , o Sétimo vai transformar o Brasil em uma nação de vampiros, e agora, quem poderá nos defender? Olha, eu adorei rever o Inverno, Tempestade, Acordador, Espelho e Gentil. Mas sei lá, achei o retorno meio forçado. Ressucitar os caras só para ficarem de capacho do Tiago (aliás, Fantasma, uma alcunha bem mais interessante) e depois despachá-los de volta pro quinto dos infernos é uma tremenda duma sacanagem. Entretanto devo dizer, foi imprescindível. Tiago não tinha dado conta de tudo sozinho.

Falando em empatia, acho que uma das melhores surpresas do livro foi a dupla composta por Tobia, o caçador de vampiros de uma longa linhagem de caçadores que não tinha a mínima idéia de como começar as suas atividades; e Dimitri, o assassino entediado buscando novos desafios. Esses dois renderam boas cenas e deram uma boa dor de cabeça para os vampiros (seja lá de que lado eles estivessem). Outro que merece uma menção honrosa é o tenente Brites. O que o cara passou, além de aguentar as piadinhas de que estava caçando vampiros…

Dentre tantos momentos de ação (e o livro trata-se de ação do início ao fim, com muita tensão, perseguições, invasões e tudo que o gênero vampiresco pode nos proporcionar – destaque para o embate no shopping) o livro culmina num conflito intenso no quartel onde Sétimo foi resgatar uma de suas vampiriguetes (e até agora não entendi porque ele se arriscou tanto, mas enfim) e daí uma pancadaria louca de vampiros do Sétimo, vampiros crias do Afonso, Tiago e os Sete, Tobia e Dimitri, o exército e balas de prata voando para todo lado. Vianco nos brinda com um clímax impecável (e, é óbvio, pelo menos o final eu não conto). 😛

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3 comentários sobre “Sétimo

  1. Eu tenho um problema com André Vianco. Comprei Beto há muito tempo atrás e eu tentei por 3 vezes lê-lo. Não rolou. Achei uma narrativa meio chata e lenta, não me pegou =(

  2. @Chell sabe que no “Os Sete”eu senti isso também? Achei que nesse aspecto “O Sétimo”melhorou consideravelmente (mas os gaúchos continuam com sotaque da Globo, ahahaha).

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