Adeus, Terry Pratchett :(

É com grande pesar que falo hoje sobre o falecimento do escritor Terry Pratchett, na última quinta feira, dia 12 de março. Sir Terry (que ganhou o título de cavaleiro em 2009) faleceu aos 66 anos, vítima de uma forma rara de Alzheimer. Apesar das dificuldades impostas pela doença, concluiu seu último livro, ditado (pois estava impossibilitado de escrever), no último semestre de 2014. Terry Pratchett foi a mente por trás da existência do Discworld, um mundo em forma de disco achatado apoiado nas costas de quatro elefantes sobre a Grande A’tuin, a tartaruga gigante. Um mundo que brinca com diversos conceitos mitológicos e medievais sobre o nosso próprio.

Mais ou menos assim.
Mais ou menos assim.

Terry transformou seu mundo em uma personagem de suas histórias, como pesquisadores hipotetizando a existência de um quinto elefante (inclusive este assunto nomeou um dos livros da série), e expedições para observar a anatomia da Grande A’tuin, aventurando-se pela borda. Não há como ler as histórias passadas em Discworld e não se sentir cativado pela loucura da cidade de Ankh-Morpork e pelo mago (ou seria mega?) trapalhão Rincewind. O fascínio pela cultura gerada a partir das obras sobre o Discworld é tanta que nomeou até uma espécie fóssil de tartaruga, a Psephophorus terrypratchetti. A descrição da espécie foi publicada em 1995 no periódico Journal of the Royal Society of New Zealand. Segundo o autor “…as diferenças entre o material neozelandês [do presente estudo] e demais espécies conhecidas de Psephophorus são justificativas para o nome da nova espécie”. Terry Pratchett escreveu quase 40 livros sobre o Discworld, dentre os mais conhecidos estão “A Cor da Magia” e “A Luz Fantástica”. O primeiro livro do autor com que tive contato foi “O Fabuloso Maurício e seus Roedores Letrados”, que apesar de inicialmente sua temática soar infantil (com direito à uma paródia de “O Flautista de Hamelin”), trata-se de uma grande reflexão sobre o que é ter consciência, qual o limiar entre o racional e irracional e sobre o que fazer com essa consciência (ou como lidar com as consequências de nosso atos). Enfim, um livro fabuloso (assim como o gato Maurício). o-fabuloso-maurc3adcio-e-seus-roedores-letrados_webOutra obra da qual gosto muito foi escrita em parceria com o Neil Gaiman, intitulada “Belas Maldições”, que trata-se de uma abordagem bem humorada sobre o final dos tempos, com um anticristo nada convencional  e os Motoqueiros do Apocalipse (sem falar, é claro, em um anjo e um demônio amigos engajados em salvar a Terra do Apocalipse porque, afinal de contas, gostam de viver nela.capa Um dos Motoqueiros do Apocalipse é um personagem recorrente na obra de Pratchett: a Morte. Ou melhor, O Morte. mm-death1-new1 Com uma visão peculiar de mundo e suas falas sempre em letras maiúsculas, Morte sempre teve uma presença marcante nas histórias, inclusive tendo dois livros focados no personagem: Mort (publicado no Brasil com o título “O Aprendiz de Morte”) e “Reaper Man” (“O Senhor da Foice”, na versão brasileira). Infelizmente, Sir Terry foi de encontro à sua obra. Despeço-me já com saudades desse maravilhoso escritor, com esse tweet de sua página oficial. goodbye_sirterry

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