Causos de RPG parte 4 – Draco Dormiens Nunquam Titillandus

Meus caros, finalmente chegando à última (por ora) peripécia RPGística desta série, venho contar-lhes a história de Sardinhas Perigoso Feijão Bronzeado Intenso.

No verão de 2006, creio eu, estavam meus amigos e eu passando as férias na mesma fatídica praia citada no post anterior (começo a acreditar que tal local apresente condições ótimas para a prática desse jogo. Sugiro inclusive estudos a respeito).

Era uma aventura um tanto caótica e inusitada: os mestres se revezavam a cada período de tempo (intervalo esse igualmente arbitrário) e a narrativa ficou completamente confusa, com personagens indo e vindo a todo o momento. Era uma graça: toda vez que trocava o mestre era como se abrisse um void e um personagem jogador reaparecia.

Chego eu na casa desses seres para jogar conversa fora e acabei me metendo na confusão.

“Quer jogar, Ju?”

“Tá, me diz aí os personagens que já tem”

Havia um monge, um mago e um bardo (cheguei no momento em que o bardo estava mestrando).

Fiquei pensando “com o que diabos não joguei ainda…”

“Ah, faz uma druida aí”

Não sei se foi pelo fato da história ser desordenada demais, estar mais para Matar, Pilhar e Destruir e eu não saber ainda usar os recursos que um druida pode oferecer, não curti muito jogar com essa classe (mas eu tinha uma cimitarra e isso era afudê).

Aconteceram muitas coisas malucas: eu me esquentei e matei três homens lagartos que estavam nos ameaçando sem necessidade e daí o mestre tirou meus poderes temporariamente (“Isso é coisa que um druida faça?” “ Mas…mas…eu sou caótico neutro”. Fiquei na geladeira por um tempo, mas precisavam de mim); eu tinha três lobos e OS TRÊS morreram num desabamento porque o mestre quis (“Ah, não…tu ta muito apelona com esses três lobos aí”); sem falar nas mudanças de ambiente por causa dos portais malucos.

"Tá bom, mas não se irrite."
“Tá bom, mas não se irrite.”

Enfim, o monge foi mestrar (o cara que matou meus lobos).

O cara simplesmente nos jogou dentro do covil de um dragão adormecido.

"FUUUUUUUUUUUUUUUUUU"
“FUUUUUUUUUUUUUUUUUU”

E precisávamos pegar o ovo dele. Agora não me lembro direito, mas tínhamos um plano de fazer o dragão ingerir algum explosivo, algo assim (maldita memória que falta nessas horas, se o bardo ler isso poderá esclarecer).

Então a estratégia era: eu batia no dragão, o mago, imaterial,  implantava o explosivo no dragão (e agora veio algum flashback bizarro na memória envolvendo um cachorro conjurado com explosivos inseridos em seu corpo para o dragão comer) e o bardo, bem, o bardo fazia o que podia, né?

Ah, o bardo. O bardo tinha um rato, e seu nome era Sardinhas Perigoso Feijão Bronzeado Intenso (realmente não lembro se a ordem dos nomes era essa). Era uma homenagem a três dos roedores falantes e sapientes de “O Fabuloso Maurício e seus Roedores Letrados”, do Terry Pratchett. Sardinhas tinha um chapéu de palha e sapateava muito bem, além de poder fazer ataques com os seus dentes.

A questão é que nosso plano não deu certo, o dragão acordou, o mago (filho duma p#$@) permaneceu imaterial a batalha inteira, sem participar, e eu e o bardo apanhamos muito.

Quando estávamos no bico do corvo (e o dragão também), o bardo diz: o Sardinhas ataca!

E com sua mordida de 1pv (ou menos) de dano, o dragão tomba.

Sardinhas, feliz, começa a dançar. Usou o couro do dragão que abateu para fazer uma armadura. E o bardo diz que vai cantar por todos lugares a história daquele rato: Sardinhas Perigoso Feijão Bronzeado Intenso Sapateador de Dragões.

Te mete com o rato.
Te mete com o rato.

P.S.: e o ovo. Pois é, o ovo. Seguimos viagem com o ovo e a essa altura o mago já havia retornado. Em um momento que o ovo estava sob minha guarda, o mago tenta roubar o ovo de mim, só que eu percebo. O mestre pergunta “o que tu vai fazer?” “Vou decepar a mão dele com a minha cimitarra” “O quê???” “É isso aí.”

Nada que uma falha crítica não resolva. A cimitarra voou da minha mão quando eu desferi o golpe (acho que errei a tendência, devia ter jogado como caótico mau).

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Um comentário sobre “Causos de RPG parte 4 – Draco Dormiens Nunquam Titillandus

  1. Que apelão um rato acertar um dragão…..
    AFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF Maria…..
    ô mestre bããoooooooooo
    hauhauhuahuahauhauhauhauhauhauhuaha
    Que bom que vou mestrar quando eu chegar em POA!!!! Eu sou Deus e eu posso tudo!!!!!!

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